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Afinal, o que são agrotóxicos?

Afinal, o que são agrotóxicos?

O que são agrotóxicos?

São substâncias utilizadas para combate de pragas (como insetos, larvas, fungos, carrapatos) e para controle do crescimento de vegetação, entre outras funções.

 Quando este termo passou a ser usado no Brasil?

O termo agrotóxico, ao invés de defensivo agrícola, passou a ser utilizado no Brasil a partir da Constituição Federal de 1988, sendo esta modificação fruto de grande mobilização da sociedade civil organizada.

Mais do que uma simples mudança de terminologia, este termo coloca em evidência a toxicidade desses produtos para o meio ambiente e para a saúde humana (FUNASA, 1998).

 Como os agrotóxicos são conhecidos popularmente?

 

Popularmente, os agrotóxicos são também chamados de venenos, remédios, defensivos ou pesticidas.

 

Onde são utilizados os agrotóxicos?

A maior utilização dos agrotóxicos é na agricultura. São também utilizados na saúde pública (controle de vetores), no tratamento de madeira, no armazenamento de grãos e sementes, na produção de flores, no combate a piolhos e outros parasitas no homem e na pecuária (SVS, 1997).

O Brasil está entre os principais consumidores mundiais de agrotóxicos.

 Quais são as principais categorias profissionais expostas aos agrotóxicos?

Entre os grupos de profissionais que têm contato com os agrotóxicos, destacam-se (FUNASA, 1998):

·       Trabalhadores da agricultura e pecuária.

·       Trabalhadores de saúde pública.

·       Trabalhadores de firmas desinsetizadoras.

·       Trabalhadores de transporte e comércio dos agrotóxicos.

·       Trabalhadores de indústrias de formulação de agrotóxicos.

 

 NOTA: Entre os agricultores, a exposição aos agrotóxicos pode ocorrer de diversas formas, desde a manipulação direta (preparo das “caldas”, aplicação dos produtos) até através de armazenamento inadequado, do reaproveitamento das embalagens, da contaminação da água e do contato com roupas contaminadas (MEYER et al., 2003; BRITO et al., 2006).

 

 

Existe uma cartilha que orienta produtores sobre o uso consciente de agrotóxicos, você sabia?

Cartilha sobre Agrotóxicos - ANVISAClique e acesse a cartilha sobre agrotóxicos da ANVISA

Quais outros grupos têm risco aumentado de intoxicação por agrotóxicos?

Os familiares dos agricultores e os vizinhos de locais nos quais o agrotóxico é aplicado. Além disso, toda a população tem a possibilidade de sofrer intoxicação, seja através da ingestão de água e alimentos contaminados ou da utilização de inseticidas em sua residência etc.

 Quais são as vias de penetração dos agrotóxicos?

A exposição aos agrotóxicos pode ocorrer pelas vias digestiva, respiratória, dérmica ou por contato ocular (THUNDIYIL et al., 2008), podendo determinar quadros de intoxicação aguda, subaguda e crônica.

 

Os agrotóxicos podem gerar câncer?

 

A exposição aos agrotóxicos pode ser considerada como uma das condições potencialmente associadas ao desenvolvimento do câncer por sua possível atuação como iniciadores – substâncias capazes de alterar o DNA de uma célula, podendo originar o tumor – e/ou como promotores tumorais – substâncias que estimulam a célula alterada a se dividir de forma desorganizada (KOIFMAN; HATAGIMA, 2003).

O longo tempo entre a exposição a cancerígenos e o início dos sintomas clínicos dificulta o estabelecimento do nexo causal entre a exposição aos agrotóxicos e o desenvolvimento de câncer. Isso se deve à etiologia multifatorial do câncer (genéticos, ambientais e modos de vida); à utilização de muitos princípios ativos de agrotóxicos alternados ou concomitante ao longo do período de exposição; a diferentes frequências de exposição a fatores protetores (como frutas e verduras) e agravantes, como o tabaco (INCA, 2006).

 Quais são as principais categorias de agrotóxicos quanto à sua ação e ao grupo químico ao qual pertencem?

 

Tipo de ação (Classe)

Principais grupos químicos

Exemplos (produtos/substâncias)

 

Inseticidas (controle de insetos, larvas e formigas)

Organofosforados

Azodrin, Malathion, Parathion, Nuvacron, Tamaron, Hostation, Lorsban

Carbamatos

Carbaryl, Furadan, Lannate, Marshal

Organoclorados1

Aldrin, Endrin, DDT, BHC, Lindane

Piretróides (sintéticos)

Decis, Piredam, Karate, Cipermetrina

Fungicidas (combate aos fungos)

Ditiocarbamatos

Maneb, Mancozeb, Dithane, Thiram, Manzate

Organoestânicos

Brestan, Hokko Suzu

Dicarboximidas

Orthocide, Captan

 

Herbicidas (combate à ervas daninhas)

Bipiridílios

Gramoxone, Paraquat, Reglone, Diquat

Glicina substituída

Roundup, Glifosato

Derivados do ácido fenoxiacético

Tordon, 2,4-D, 2,4,5-T 2

Dinitrofenói

Bromofenoxim, Dinoseb, DNOC

Pentaclorofenol

Clorofen, Dowcide-G

 1.     Seu uso tem sido progressivamente restringido ou mesmo proibido em vários países, inclusive no Brasil.
  2.      A mistura de 2,4-D com 2,4,5-T representa o principal componente do agente laranja, utilizado como desfolhante na Guerra do Vietnã. Fonte: FUNASA, 1998; Peres, 1999; ANVISA, 2005

 

O que são inseticidas do tipo organoclorados?

São agrotóxicos de lenta degradação, com capacidade de acumulação nos seres vivos e no meio ambiente, podendo persistir por até 30 anos no solo. São altamente lipossolúveis e o homem pode ser contaminado não só por contato direto, mas também através da cadeia alimentar – ingestão de água e alimentos contaminados (VERDES et al., 1990; REIGART; ROBERTS, 1999).

 Quais são os efeitos dos organoclorados sobre a saúde humana?

 Intoxicação aguda irritabilidade, sensação de dormência na língua, nos lábios e nos membros inferiores, desorientação, dor de cabeça persistente (que não cede aos analgésicos comuns), fraqueza, vertigem, náuseas, vômitos, contrações musculares involuntárias, tremores, convulsões, coma e morte. Em caso de inalação, podem ocorrer sintomas como tosse, rouquidão, edema pulmonar,  broncopneumonia e taquicardia (SVS, 1997; MATOS et al, 2002).

 Intoxicação crônica: alterações no sistema nervoso, alterações sanguíneas diversas, como aplasia medular, lesões no fígado, arritmias cardíacas e lesões na pele (SVS, 1997).

 Carcinogênese: a IARC classifica alguns organoclorados como pertencentes ao grupo “2B” (possivelmente cancerígeno para a espécie humana). O DDT, por exemplo, pertence a este grupo por estar associado ao desenvolvimento de câncer de fígado, de pulmão e linfomas em animais de laboratório. Outros organoclorados pertencentes ao grupo 2B são Clordane, Heptacloro, Hexaclorobenzeno, Mirex (IARC, 2009). O endossulfam é um inseticida e acaricida  do grupo dos organoclorados que ainda é comercializado no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem propondo a reavaliação deste químico, visando à sua proibição no país, por se mostrar como risco à saúde humana, incluindo potencial carcinogênico (ANVISA, 2009a).

 O que são inseticidas do tipo Organofosforados e Carbamatos?

São agrotóxicos amplamente utilizados na agricultura e podem ser absorvidos por inalação, ingestão ou exposição dérmica (FELDMAN, 1999). Após absorvidos, são distribuídos nos tecidos do organismo pela corrente sanguínea e sofrem biotransformação, principalmente no fígado. A principal via de eliminação é a renal (MATOS et al., 2002).

 Quais são os efeitos dos Organofosforados e Carbamatos sobre a saúde humana?

 Intoxicação aguda: as intoxicações agudas por carbamatos podem levar a sinais e sintomas que incluem diarreia, náusea, vômito, dor abdominal, salivação e sudorese excessivos, visão borrada, dificuldade respiratória, dor de cabeça, fasciculações musculares (ELLENHORN, 1997). Para os OF, os sinais e sintomas de intoxicação aguda podem ser divididos em três estágios (ELLENHORN, 1997):

 

·  Leve: fadiga, dor de cabeça, visão borrada, dormência de extremidades, náusea, vômitos, salivação e sudorese excessivos.

·   Moderada: fraqueza, dificuldade para falar, fasciculação muscular, miose.

·   Severa: inconsciência, paralisia flácida, dificuldade respiratória, cianose.

 O que são inseticidas do tipo Piretroides?

 Tiveram seu uso crescente nos últimos 20 anos e, além da agropecuária, são também muito utilizados em ambientes domésticos (MATOS et al., 2002; TRAPÉ, 2005), nos quais seu uso abusivo vem causando aumento nos casos de alergia em crianças e adultos (FUNASA, 1998).

São facilmente absorvidos pelas vias digestiva, respiratória e cutânea. Os sintomas de intoxicação aguda ocorrem principalmente quando sua absorção se dá por via respiratória. São compostos estimulantes do sistema nervoso central e, em doses altas, podem produzir lesões no sistema nervoso periférico (MATOS et al., 2002; SVS, 1997).

 Quais são os efeitos dos Piretroides sobre a saúde humana?

 Intoxicação aguda: os principais sinais e sintomas incluem dormência nas pálpebras e nos lábios, irritação das conjuntivas e mucosas, espirros, coceira intensa, manchas na pele, edema nas conjuntivas e nas pálpebras, excitação e convulsões.

Intoxicação crônica: segundo MATOS et al. (2002), não estão descritas evidências de toxicidade crônica com o uso de piretroides. Outros autores, como Trapé (2005), citam alguns efeitos de exposições de longo prazo: neurites periféricas e alterações hematológicas do tipo leucopenias.

 Carcinogênese: os piretroides parecem não estarem associados ao desenvolvimento de câncer. A IARC classifica os agrotóxicos deltametrina e permetrina no grupo 3 (não carcinogênicos para o homem).

 Qual o uso dos herbicidas?

 São usados no controle de espécies não desejadas no campo e para realização de “capina química”. Nas últimas duas décadas, esse grupo tem tido sua utilização crescente na agricultura.

 Os herbicidas podem ser cancerígenos?

Existem várias suspeitas de mutagenicidade, teratogenicidade e carcinogenicidade relacionadas a esses produtos. Dentre os herbicidas, alguns grupos químicos merecem atenção especial pelos efeitos adversos à saúde.

 Quais são os efeitos dos herbicidas sobre a saúde humana?

 Bipiridílios (Paraquat) – este produto é considerado como um dos agentes de maior toxicidade específica para os pulmões. Pode ser absorvido por ingestão, inalação ou contato com a pele. Provoca lesões hepáticas, renais e fibrose pulmonar irreversível, podendo levar à morte por insuficiência respiratória em até duas semanas após a exposição, em casos graves (FUNASA, 1998; MATOS et al., 2002).

 Glicina substituída (glifosato) – comercializado principalmente com os nomes Glifosato ou Roundup, é o herbicida mais utilizado nos Estados Unidos e no mundo (COX, 2004). Seu uso se dá na agricultura de grande porte, mas também na agricultura familiar, sendo considerado por muitos agricultores e agrônomos como um produto quase “inofensivo” ao homem (SILVA, 2007).

Sintomas de exposição ao glifosato incluem irritação dos olhos, visão borrada, erupções cutâneas, náusea, inflamação ou dor de garganta, asma, dificuldade para respirar, dor de cabeça e vertigens.

 Triazinas – São herbicidas muito persistentes no ambiente e consideradas contaminantes ambientais importantes, principalmente poluente de ambientes aquáticos (PestNews).

 Derivados do ácido fenoxiacético – um dos principais produtos é o 2,4 D, muito usado no país em pastagens e plantações de cana-de-açúcar.

O quadro de intoxicação aguda dos derivados do ácido fenoxiacético inclui: cefaleia, tontura, fraqueza, náuseas, vômitos, dor abdominal, lesões hepáticas e renais. Casos graves podem apresentar convulsões, coma e podem evoluir para óbito em 24 horas.

 Quais são as principais medidas de controle em relação aos agrotóxicos?

Considerando seu potencial cancerígeno a longo prazo e intoxicante a curto prazo, a atitude mais adequada é não utilizar agrotóxicos. Proteções individuais ou barreiras locais não impedem que a substância atinja lençóis freáticos e atue em áreas muito distantes da original. Outros veículos importantes são o solo e o ar contaminado. Dessa forma, as medidas de controle são paliativos que devem ser adotados num período determinado, tendo em conta que uma política maior de proibição do uso e estímulo a culturas livres de agrotóxico precisam ser implantadas nas regiões.

 Quais são as principais medidas de controle paliativas que não podem ser desprezadas?

 

·           Não comer, beber ou fumar durante o manuseio e aplicação do(s) produto(s).

·            Não desentupir bicos, orifícios e válvulas dos equipamentos com a boca.

·           Quando aplicar os agrotóxicos, observar a direção dos ventos (aplicar contra o vento). Não aplicar os produtos na presença de ventos fortes.

·            Não aplicar os produtos nas horas mais quentes do dia.

·            Utilizar equipamentos de proteção individual (EPI), conforme indicação do produto a ser utilizado.

·            Indispensável o uso de luvas impermeáveis e botas de borracha.

·            Trocar e lavar as roupas de proteção separadamente de outras roupas não contaminadas.

·            Tomar banho imediatamente após o contato com os agrotóxicos.

·            Manter os equipamentos individuais e as embalagens de agrotóxicos adequadamente fechadas, em local trancado, fora da casa e longe do alcance de crianças e animais.

·            Não reutilizar as embalagens vazias.

·            Não queimar, enterrar ou jogar nos rios as embalagens vazias de agrotóxicos. Informe-se sobre como devolvê-las em sua comunidade ou município.

 Fonte:

 

Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Coordenação de Prevenção e Vigilância. Vigilância do câncer relacionado ao trabalho e ao ambiente/ Instituto Nacional de Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância. 2e. rev. atual. – Rio de Janeiro: INCA, 2010.

 
Imagem: http://www.drvictorsorrentino.com.br/o-que-voce-deveria-saber-sobre-os-agrotoxicos-em-seu-alimento/
 
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